Última alteração: 2012-07-17
Resumo
Atualmente, temos observado uma ampliação bastante significativa de espaços de convivência para pessoas de várias idades. As ideias que subsidiam a criação desses espaços geralmente se articulam com o lazer, a prática de exercícios físicos, etc..., envolvendo crianças, adultos e idosos.
Em pesquisa recente, realizada na cidade de Brasília, com idosos que frequentam centros de convivência, foi identificado um alto índice de depressão entre frequentadores desse equipamento social (OLIVEIRA; GOMES, OLIVEIRA, 2006). Os autores da pesquisa indicam uma ampliação dessa rede de acolhimento, tendo como perspectiva a diminuição dos sintomas de depressão, presentes nesta faixa etária.
Em estudo realizado na Paraíba, acerca das representações de idosos sobre a velhice, verificou-se que esta fase do desenvolvimento humano é marcada pela ‘discriminação’ e pela busca da ‘saúde’, tendo em vista que o surgimento de patologias nessa faixa etária encontra-se mais presente do que em qualquer outra etapa da vida. A pesquisa também revela que os idosos associam a velhice à ‘morte’. De certa forma, essas representações coadunam-se com o paradigma dominante em nossa cultura, que representa a velhice de forma negativa, sendo, em geral, alvo de preconceitos e discriminação. (ARAÚJO, COUTINHO, CARVALHO, 2005, p. 126).
Os participantes da pesquisa também assinalam a importância dos grupos de convivência para suas vidas uma vez que esses espaços de relações interpessoais possibilitam construir novos amigos, propiciam momentos de ‘alegria’, que é algo relevante e ‘importante’ nessa fase da vida. (ARAÚJO, COUTINHO, CARVALHO, 2005, p. 126).
Os dados obtidos revelaram a importância constitucional que os grupos de convivência têm para essa população, caracterizando-se como espaços por excelência, onde as práticas sociais desenvolvidas contribuem para que os idosos exerçam seu papel de cidadãos, sendo um local onde eles utilizam suas potencialidades, onde há sempre alguém que os escute, propiciando a efetivação de laços de amizade e momentos de lazer, contribuindo, também, para o restabelecimento da auto-imagem positiva, uma vez que, em geral, o contexto familiar não favorece a utilização das potencialidades dos idosos. (ARAÚJO, COUTINHO, CARVALHO, 2005, p. 129).
As pesquisas acima nos levam a considerar que os espaços coletivos são bastante importantes para a população idosa, uma vez que os idosos envolvidos nesses espaços têm a oportunidade, de se perceberem de modos diferentes, trocarem experiências, se identificarem de modo mais positivo.
É com essa perspectiva que elaboramos esse trabalho, cujo objetivo é o de fomentar um espaço de convivência para pessoas idosas que apresentam deficiência visual. Entendemos que o estabelecimento deste grupo permitirá que os membros reflitam sobre suas experiências, e que as trocas possibilitem novas compreensões sobre suas vidas.